Crise pode levar Ceará a ser um novo Maguari

A advertência é do presidente do Conselho Deliberativo do Ceará, Castelo Camurça: ´o Ceará não vai suportar mais por longo tempo tanta desavença e desunião. Estamos próximos de nos tornarmos um novo Maguari — time de elite do futebol cearense que fechou as portas em meados do século passado´. Camurça vai mais além e garante que o Alvinegro enfrenta hoje a maior de todas as crises de sua história.

Ontem à tarde, Castelo Camurça e o secretário-geral do Conselho, Sacha Jucá, estiveram no Diário do Nordeste e, em tom sombrio, falaram abertamente dos problemas enfrentados pelo Vozão. Aos poucos, a obstinação da dupla, logo após a eleição no fim do ano passado, de ver a família alvinegra em harmonia, vai dando lugar à uma completa desolação.

Convocação

O caso é tão grave que o Conselho Consultivo do Ceará, formado por ex-presidentes da Executiva e do Deliberativo, será convocado para uma reunião extraordinária amanhã, ao meio dia, no Marina Park Hotel. Na ocasião, a real situação do clube será exposta. ´Não podemos mais esconder o que está ocorrendo. Quando fui eleito, me propus fazer a união de todos os alvinegros. De início, estava ´apagando´ uma crise por dia. Ultimamente, passei a administrar uma crise a cada hora. Não sou super-homem para suportar uma pressão dessa´, dasabafou Camurça.

Segundo o dirigente do órgão maior do clube, ´o barco está à deriva´. Ao seu lado, poucas pessoas, como os conselheiros Sacha Jucá, Eulino Oliveira, Edmilson Moreira, Elísio Serra e Barreto Filho. ´Esse é o momento de união. É preciso que todos despertem para o que está acontecendo. Ou nos entendemos em torno do futuro do Ceará ou mais tarde estaremos todos arrependidos´.

Sacha compartilha dessa avaliação e defende que o Ceará sofra um ´choque de gestão´, que implicará na profissionalização de todos os setores, desde a categoria de base, passando pelo setor administrativo até o time principal.

A partir do início da segunda gestão de Eugênio Rabelo, iniciada em janeiro último, o Ceará vive mergulhado numa sucessão de crise: advogados ameaçaram deixar o Alvinegro por cauda de atraso salarial, torcedores invadiram campo em jogos e treinos, jogadores realizaram greve ou se afastaram por conta própria, dirigentes renunciaram, técnico fugiu sem dar satisfação; treinador foi contratado e, meia hora depois, ´descontratado´, além da aquisição de vários jogadores de baixa condição técnica. Como parte da estratégia dos conselheiros de evitar o pior, ou seja, a bancarrota do Ceará, será realizado um encontro com as torcidas organizadas.

LONGEVIDADE

Dimas é o ´quebra-galho´ do Alvinegro

Dimas Filgueiras é o mais antigo funcionário do Ceará em atividade e já acumulou inúmeras funções no clube

Dimas Filgueiras Filho vai comandar o Ceará novamente hoje. Sua interinidade não tem data para acabar: depende do rumo que o clube vai tomar administrativamente. Se o primeiro vice-presidente, Evandro Leitão, assumir o Alvinegro, um novo treinador — Argeu dos Santos é um dos cotados— será contratado logo; do contrário, Dimas será mais uma vez efetivado.

Há 35 ano Ceará, Dimas só não foi ainda presidente. Até vice de Alexandre Frota já foi. Após ocupar tantos postos administrativos ou como funcionário, alguns torcedores com ironia o apelidaram de o ´Raimundo Faz Tudo´ do Vozão.

Após o abandono do técnico Flávio Lopes, que deixou Porangabuçu de forma inesperada e inusitada — fugiu sem dar satisfação a ninguém— Dimas foi a solução encontrada para tentar salvar o Alvinegro do naufrágio nesse Estadual . O comandante tampão assumiu o time alvinegro na derrota por 3 a 1, para o maior rival, o Fortaleza, no último domingo, no Estádio Castelão.

Treinador sofre

Filgueiras chegou ao Ceará em novembro de 1972, ainda como jogador. No ano seguinte, se transferiu para o Ceará, onde encerrou a carreira de jogador em 1976. Foi convidado pela diretoria a assumir o cargo de supervisor de futebol. Antes de ser alçado pela 17ª vez ao cargo de treinador, Dimas Filgueiras estava trabalhando como diretor administrativo. ´É uma função da qual eu gostei muito´, resumiu o interino, que descartou uma migração definitiva para os bancos de reservas: ´Não tenho nenhuma intenção. Acho que o treinador sofre demais´.

Dimas Filgueiras Filho faz parte da vitoriosa história do clube. Ele participou de 20 das 35 conquistas da equipe na história e ainda levou o time ao vice-campeonato da Copa do Brasil de 1994.

DN

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~ por CearáNews em março 12, 2008.

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